Guia de Referência: Factory Method (Criacional)
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Guia de Referência: Factory Method (Criacional)
Este guia orienta a aplicação do padrão Factory Method em projetos de software. Objetivo: Delegar a decisão de qual classe concreta instanciar, mantendo o código cliente dependente de uma abstração. O padrão deve ser usado somente quando as forças do problema o justificarem.
1. Problema que resolve
O fluxo principal sabe que precisa de um produto, mas o tipo concreto varia por contexto, plataforma, integração ou extensão futura.
Sinais no código/arquitetura
- Há muitos
new/construtores espalhados para produtos da mesma família conceitual. - Adicionar um novo tipo exige editar código de alto nível que deveria permanecer estável.
- Um framework/base class conhece o fluxo, mas subclasses precisam escolher o produto concreto.
2. Quando usar
- Criação de conectores, exportadores, parsers, notificadores ou gateways cuja implementação varia.
- Extensões/plugins em que cada módulo registra ou produz um tipo específico.
- Fluxos em que uma superclasse define o processo e subclasses controlam apenas a criação.
3. Quando NÃO usar
- Quando existe apenas uma implementação e não há variação real prevista.
- Quando uma função fábrica simples resolve sem hierarquia ou polimorfismo.
- Quando a escolha do produto é apenas configuração de dados e não comportamento.
4. Estrutura e participantes
- Product: contrato usado pelo cliente.
- ConcreteProduct: implementações concretas.
- Creator: declara o método fábrica e trabalha com
Product. - ConcreteCreator: decide qual
ConcreteProductproduzir.
5. Procedimento de implementação
- Extraia um contrato comum para os produtos.
- Mova a criação para um método fábrica.
- Faça o fluxo principal depender apenas do contrato do produto.
- Crie variantes do creator somente quando houver diferenças legítimas de criação.
- Teste o fluxo com produtos fakes/stubs para confirmar o desacoplamento.
6. Exemplo mental
Um módulo de exportação chama createExporter() e depois export(data). PdfReportCreator retorna PdfExporter; CsvReportCreator retorna CsvExporter.
7. Benefícios esperados
- Reduz acoplamento entre lógica de negócio e classes concretas.
- Facilita OCP: novos produtos podem ser adicionados com menor impacto.
- Centraliza regras de construção.
8. Custos e trade-offs
- Pode criar subclasses/arquivos adicionais.
- Se usado sem variação real, vira cerimônia desnecessária.
9. Encaixe com Clean Architecture e SOLID
Normalmente o contrato do produto fica em domínio/aplicação; a implementação concreta pode ficar em adapters/infra. O ponto de composição escolhe o creator.
Regras para a IA:
- Dependa de abstrações quando a variação justificar uma fronteira.
- Não faça o domínio importar SDKs, frameworks, banco de dados ou UI.
- Mantenha cada participante com responsabilidade coesa.
- Prefira composição quando ela reduzir acoplamento; não crie hierarquias artificiais.
- Registre a decisão arquitetural quando o padrão afetar muitos módulos.
10. Caminho de refatoração
Bom alvo quando aparecem condicionais repetidas para escolher classes concretas ou quando a criação impede testes isolados.
Ao refatorar um sistema existente:
- Proteja o comportamento atual com testes.
- Faça passos pequenos e reversíveis.
- Introduza primeiro a abstração/contrato.
- Migre um fluxo por vez.
- Remova código antigo apenas após equivalência comportamental comprovada.
11. Estratégia de testes
Teste o comportamento do cliente contra o contrato; teste cada creator para garantir que produz um objeto compatível e corretamente configurado.
Checklist mínimo:
- caminho feliz
- entradas/estados de limite
- erros e falhas de dependências
- comportamento de cada implementação concreta
- teste de contrato quando houver múltiplas implementações
- teste de integração apenas onde a fronteira externa for relevante
12. Padrões relacionados
- Abstract Factory
- Template Method
- Prototype
13. Perguntas de diagnóstico para a IA
- Qual aspecto do sistema realmente varia?
- Essa variação já está causando duplicação, condicionais ou acoplamento?
- Uma função/composição simples resolveria com menos abstrações?
- O padrão reduz o custo de uma mudança concreta que já é provável?
- Qual é o custo de introduzir novas classes, indireção e configuração?
- Como a decisão será testada e observada em produção?
14. Prompt pronto
Você é o arquiteto do projeto. Avalie se o padrão **Factory Method** é adequado para o problema abaixo.
Contexto: [DESCREVA o sistema, stack/arquitetura, estado atual e o problema observado]
Objetivo: [DESCREVA o resultado esperado ao avaliar ou aplicar este padrão]
Restrições: [DESCREVA prazo, legado, performance, testes, compatibilidade e o que não pode mudar]
Antes de codificar:
1. Identifique as forças que justificam ou rejeitam Factory Method.
2. Compare pelo menos uma alternativa mais simples e um padrão relacionado (Abstract Factory, Template Method, Prototype).
3. Se o padrão for justificado, mostre participantes, dependências e fluxo.
4. Preserve Clean Architecture/SOLID: regras centrais não dependem de infraestrutura.
5. Implemente incrementalmente, com testes.
6. Ao final, liste trade-offs e sinais de overengineering.
Não aplique o padrão apenas porque foi solicitado; rejeite-o se não houver variação/complexidade que o justifique.
Como preencher os campos
- Contexto: descreva o tipo de sistema, stack/versões, arquitetura atual, onde a mudança acontece e o comportamento relevante já existente.
- Objetivo: descreva o resultado observável que deve existir ao final, não apenas a tecnologia que você quer usar.
- Restrições: informe o que não pode mudar, compatibilidade, prazo, segurança, acessibilidade, performance, legado, dependências e limites de escopo.
Exemplo preenchido
Contexto: Serviço de exportação precisa gerar PDF e CSV sem o cliente conhecer classes concretas.
Objetivo: Adicionar um novo formato de exportação sem modificar o fluxo principal.
Restrições: Manter contrato atual; evitar switch central crescente; testes por produto concreto.
15. Critério de aceite
A aplicação de Factory Method só está concluída quando:
- o problema que motivou o padrão está explicitamente documentado;
- o código cliente depende do contrato correto, não de detalhes acidentais;
- adicionar a variação-alvo exige menos mudanças que antes;
- testes protegem a extensão/refatoração;
- não houve vazamento de infraestrutura para o núcleo;
- a solução ficou mais compreensível para manutenção, não apenas “mais orientada a padrões”.
16. Base Conceitual e Relações
- Catálogo Refactoring.Guru em português — escopo de 22 padrões.
- Design Patterns: Elements of Reusable Object-Oriented Software (Gamma, Helm, Johnson e Vlissides) — intenção, aplicabilidade, participantes, consequências e relações entre padrões.
- Guias de Clean Architecture, princípios de design, refatoração e código limpo deste pacote.