# Guia de Referência: Flyweight (Estrutural)


Este guia orienta a aplicação do padrão **Flyweight** em projetos de software. **Objetivo:** Economizar memória compartilhando estado intrínseco imutável entre grande quantidade de objetos. O padrão deve ser usado somente quando as forças do problema o justificarem.

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## 1. Problema que resolve

Milhares/milhões de objetos repetem os mesmos dados pesados e o consumo de memória vira gargalo real.

### Sinais no código/arquitetura
- Profiling demonstra pressão de memória causada por dados duplicados.
- Objetos podem separar estado compartilhável (intrínseco) do estado contextual (extrínseco).
- Há grande repetição de estilos, metadados, meshes, ícones, caracteres etc.

## 2. Quando usar
- Editores de texto, jogos, mapas, renderização e caches de objetos imutáveis.
- Catálogos de metadados compartilhados.

## 3. Quando NÃO usar
- Sem evidência de problema de memória.
- Quando o estado compartilhado precisa ser mutável por instância.
- Quando a separação intrínseco/extrínseco aumenta mais a complexidade que o benefício.

## 4. Estrutura e participantes
- Flyweight: estado compartilhado, preferencialmente imutável.
- FlyweightFactory: reutiliza/retorna instâncias compartilhadas.
- Context: guarda estado extrínseco por ocorrência.
- Client: fornece contexto ao usar o flyweight.

## 5. Procedimento de implementação
1. Meça memória antes.
2. Separe estado intrínseco de extrínseco.
3. Torne o estado compartilhado imutável.
4. Crie fábrica/cache por chave.
5. Passe o contexto externo explicitamente.

## 6. Exemplo mental

Um mapa com 500 mil árvores guarda posição por árvore, mas compartilha `TreeType` (textura, espécie, mesh) entre todas da mesma espécie.

## 7. Benefícios esperados
- Pode reduzir drasticamente memória.
- Centraliza recursos imutáveis compartilhados.

## 8. Custos e trade-offs
- Aumenta complexidade e pode adicionar custo de lookup.
- Exige imutabilidade/disciplinas fortes.

## 9. Encaixe com Clean Architecture e SOLID

É otimização de detalhe; só introduza após medição. Não deixe preocupações de memória contaminarem o domínio se puderem ser isoladas em representação/infra.

**Regras para a IA:**
- Dependa de abstrações quando a variação justificar uma fronteira.
- Não faça o domínio importar SDKs, frameworks, banco de dados ou UI.
- Mantenha cada participante com responsabilidade coesa.
- Prefira composição quando ela reduzir acoplamento; não crie hierarquias artificiais.
- Registre a decisão arquitetural quando o padrão afetar muitos módulos.

## 10. Caminho de refatoração

Não deve ser escolhido por “cheiro” apenas; precisa de evidência de duplicação de estado e pressão de memória.

Ao refatorar um sistema existente:
1. Proteja o comportamento atual com testes.
2. Faça passos pequenos e reversíveis.
3. Introduza primeiro a abstração/contrato.
4. Migre um fluxo por vez.
5. Remova código antigo apenas após equivalência comportamental comprovada.

## 11. Estratégia de testes

Teste compartilhamento correto, imutabilidade e ausência de vazamento de estado entre contextos.

Checklist mínimo:
- [ ] caminho feliz
- [ ] entradas/estados de limite
- [ ] erros e falhas de dependências
- [ ] comportamento de cada implementação concreta
- [ ] teste de contrato quando houver múltiplas implementações
- [ ] teste de integração apenas onde a fronteira externa for relevante

## 12. Padrões relacionados
- Composite
- Singleton
- Factory Method

## 13. Perguntas de diagnóstico para a IA

1. Qual aspecto do sistema realmente varia?
2. Essa variação já está causando duplicação, condicionais ou acoplamento?
3. Uma função/composição simples resolveria com menos abstrações?
4. O padrão reduz o custo de uma mudança concreta que já é provável?
5. Qual é o custo de introduzir novas classes, indireção e configuração?
6. Como a decisão será testada e observada em produção?

## 14. Prompt pronto

```text
Você é o arquiteto do projeto. Avalie se o padrão **Flyweight** é adequado para o problema abaixo.

Contexto: [DESCREVA o sistema, stack/arquitetura, estado atual e o problema observado]
Objetivo: [DESCREVA o resultado esperado ao avaliar ou aplicar este padrão]
Restrições: [DESCREVA prazo, legado, performance, testes, compatibilidade e o que não pode mudar]

Antes de codificar:
1. Identifique as forças que justificam ou rejeitam Flyweight.
2. Compare pelo menos uma alternativa mais simples e um padrão relacionado (Composite, Singleton, Factory Method).
3. Se o padrão for justificado, mostre participantes, dependências e fluxo.
4. Preserve Clean Architecture/SOLID: regras centrais não dependem de infraestrutura.
5. Implemente incrementalmente, com testes.
6. Ao final, liste trade-offs e sinais de overengineering.

Não aplique o padrão apenas porque foi solicitado; rejeite-o se não houver variação/complexidade que o justifique.
```

### Como preencher os campos

- **Contexto:** descreva o tipo de sistema, stack/versões, arquitetura atual, onde a mudança acontece e o comportamento relevante já existente.
- **Objetivo:** descreva o resultado observável que deve existir ao final, não apenas a tecnologia que você quer usar.
- **Restrições:** informe o que não pode mudar, compatibilidade, prazo, segurança, acessibilidade, performance, legado, dependências e limites de escopo.

### Exemplo preenchido

```text
Contexto: Editor renderiza dezenas de milhares de símbolos que repetem fonte, cor e metadados imutáveis.
Objetivo: Compartilhar estado intrínseco para reduzir memória sem confundir estado por instância.
Restrições: Medir benefício antes; separar claramente estado intrínseco e extrínseco.
```


## 15. Critério de aceite

A aplicação de **Flyweight** só está concluída quando:
- [ ] o problema que motivou o padrão está explicitamente documentado;
- [ ] o código cliente depende do contrato correto, não de detalhes acidentais;
- [ ] adicionar a variação-alvo exige menos mudanças que antes;
- [ ] testes protegem a extensão/refatoração;
- [ ] não houve vazamento de infraestrutura para o núcleo;
- [ ] a solução ficou mais compreensível para manutenção, não apenas “mais orientada a padrões”.

## 16. Base Conceitual e Relações

- Catálogo Refactoring.Guru em português — escopo de 22 padrões.
- *Design Patterns: Elements of Reusable Object-Oriented Software* (Gamma, Helm, Johnson e Vlissides) — intenção, aplicabilidade, participantes, consequências e relações entre padrões.
- Guias de Clean Architecture, princípios de design, refatoração e código limpo deste pacote.
