# Guia de Referência: Adapter (Estrutural)


Este guia orienta a aplicação do padrão **Adapter** em projetos de software. **Objetivo:** Converter a interface de um componente para o contrato esperado pelo cliente. O padrão deve ser usado somente quando as forças do problema o justificarem.

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## 1. Problema que resolve

Um legado, SDK ou serviço externo tem uma API incompatível com o modelo interno, mas precisa ser reutilizado.

### Sinais no código/arquitetura
- Código de negócio conhece nomes/tipos específicos de um fornecedor.
- Há conversões repetidas de formato espalhadas.
- Trocar fornecedor exige alterar regras de negócio.

## 2. Quando usar
- Integração com APIs, bancos, SDKs e sistemas legados.
- Mapeamento de DTO externo para modelo interno.
- Compatibilização de uma biblioteca com uma interface do domínio/aplicação.

## 3. Quando NÃO usar
- Quando você controla ambos os lados e pode simplesmente alinhar as interfaces.
- Quando o problema é simplificar muitas operações (Facade) e não traduzir contrato.

## 4. Estrutura e participantes
- Target: contrato esperado pelo cliente.
- Adaptee: API existente/incompatível.
- Adapter: traduz chamadas e dados entre os dois.
- Client: depende somente de Target.

## 5. Procedimento de implementação
1. Defina o contrato interno a partir da necessidade do caso de uso.
2. Implemente um adaptador que encapsula o componente externo.
3. Converta dados e erros na borda.
4. Não vaze tipos do SDK para dentro.
5. Crie testes de contrato e de integração.

## 6. Exemplo mental

`PaymentGateway` é o contrato interno; `StripePaymentAdapter` traduz `charge()` e respostas do SDK Stripe para `PaymentResult` do sistema.

## 7. Benefícios esperados
- Isola mudanças externas.
- Mantém o domínio com linguagem própria.
- Facilita testes e troca de fornecedor.

## 8. Custos e trade-offs
- Adiciona uma camada de tradução.
- Mapeamentos podem exigir manutenção quando contratos externos mudam.

## 9. Encaixe com Clean Architecture e SOLID

É um dos padrões mais naturais na camada de Interface Adapters. A dependência aponta para o contrato interno; a implementação externa fica fora.

**Regras para a IA:**
- Dependa de abstrações quando a variação justificar uma fronteira.
- Não faça o domínio importar SDKs, frameworks, banco de dados ou UI.
- Mantenha cada participante com responsabilidade coesa.
- Prefira composição quando ela reduzir acoplamento; não crie hierarquias artificiais.
- Registre a decisão arquitetural quando o padrão afetar muitos módulos.

## 10. Caminho de refatoração

Aplique quando DTOs/SDKs externos aparecem em entidades/casos de uso ou quando conversões se repetem.

Ao refatorar um sistema existente:
1. Proteja o comportamento atual com testes.
2. Faça passos pequenos e reversíveis.
3. Introduza primeiro a abstração/contrato.
4. Migre um fluxo por vez.
5. Remova código antigo apenas após equivalência comportamental comprovada.

## 11. Estratégia de testes

Teste mapeamentos, erros, timeouts e contrato. Use testes de integração separados para o fornecedor real.

Checklist mínimo:
- [ ] caminho feliz
- [ ] entradas/estados de limite
- [ ] erros e falhas de dependências
- [ ] comportamento de cada implementação concreta
- [ ] teste de contrato quando houver múltiplas implementações
- [ ] teste de integração apenas onde a fronteira externa for relevante

## 12. Padrões relacionados
- Facade
- Bridge
- Proxy

## 13. Perguntas de diagnóstico para a IA

1. Qual aspecto do sistema realmente varia?
2. Essa variação já está causando duplicação, condicionais ou acoplamento?
3. Uma função/composição simples resolveria com menos abstrações?
4. O padrão reduz o custo de uma mudança concreta que já é provável?
5. Qual é o custo de introduzir novas classes, indireção e configuração?
6. Como a decisão será testada e observada em produção?

## 14. Prompt pronto

```text
Você é o arquiteto do projeto. Avalie se o padrão **Adapter** é adequado para o problema abaixo.

Contexto: [DESCREVA o sistema, stack/arquitetura, estado atual e o problema observado]
Objetivo: [DESCREVA o resultado esperado ao avaliar ou aplicar este padrão]
Restrições: [DESCREVA prazo, legado, performance, testes, compatibilidade e o que não pode mudar]

Antes de codificar:
1. Identifique as forças que justificam ou rejeitam Adapter.
2. Compare pelo menos uma alternativa mais simples e um padrão relacionado (Facade, Bridge, Proxy).
3. Se o padrão for justificado, mostre participantes, dependências e fluxo.
4. Preserve Clean Architecture/SOLID: regras centrais não dependem de infraestrutura.
5. Implemente incrementalmente, com testes.
6. Ao final, liste trade-offs e sinais de overengineering.

Não aplique o padrão apenas porque foi solicitado; rejeite-o se não houver variação/complexidade que o justifique.
```

### Como preencher os campos

- **Contexto:** descreva o tipo de sistema, stack/versões, arquitetura atual, onde a mudança acontece e o comportamento relevante já existente.
- **Objetivo:** descreva o resultado observável que deve existir ao final, não apenas a tecnologia que você quer usar.
- **Restrições:** informe o que não pode mudar, compatibilidade, prazo, segurança, acessibilidade, performance, legado, dependências e limites de escopo.

### Exemplo preenchido

```text
Contexto: API legada retorna clientes em um formato incompatível com o modelo usado pelos casos de uso.
Objetivo: Adaptar o contrato externo para o formato interno sem contaminar o domínio.
Restrições: Não alterar o provedor externo; mapeamento fica na fronteira; testar conversões e erros.
```


## 15. Critério de aceite

A aplicação de **Adapter** só está concluída quando:
- [ ] o problema que motivou o padrão está explicitamente documentado;
- [ ] o código cliente depende do contrato correto, não de detalhes acidentais;
- [ ] adicionar a variação-alvo exige menos mudanças que antes;
- [ ] testes protegem a extensão/refatoração;
- [ ] não houve vazamento de infraestrutura para o núcleo;
- [ ] a solução ficou mais compreensível para manutenção, não apenas “mais orientada a padrões”.

## 16. Base Conceitual e Relações

- Catálogo Refactoring.Guru em português — escopo de 22 padrões.
- *Design Patterns: Elements of Reusable Object-Oriented Software* (Gamma, Helm, Johnson e Vlissides) — intenção, aplicabilidade, participantes, consequências e relações entre padrões.
- Guias de Clean Architecture, princípios de design, refatoração e código limpo deste pacote.
