# Guia de Referência: Singleton (Criacional)


Este guia orienta a aplicação do padrão **Singleton** em projetos de software. **Objetivo:** Garantir uma única instância acessível de uma classe durante um escopo definido. O padrão deve ser usado somente quando as forças do problema o justificarem.

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## 1. Problema que resolve

Há um recurso que deve ser coordenado por uma instância única, e o sistema precisa controlar sua criação e acesso.

### Sinais no código/arquitetura
- Existe uma invariável real de unicidade.
- Criar duas instâncias causa conflito de recurso.
- O ciclo de vida precisa ser centralmente controlado.

## 2. Quando usar
- Casos raros de coordenação de recurso único no processo.
- Caches/configurações somente quando o escopo de unicidade é requisito real.
- Como implementação encapsulada por um container de DI, preferindo escopo singleton do container.

## 3. Quando NÃO usar
- Para conveniência de acesso global.
- Para serviços de negócio que podem ser injetados.
- Quando testes precisam substituir a instância e o padrão cria estado global oculto.

## 4. Estrutura e participantes
- Singleton: controla construção e fornece acesso à instância única.
- Client: consome a instância, idealmente por abstração/injeção.

## 5. Procedimento de implementação
1. Prove a necessidade de unicidade.
2. Prefira gerenciar o ciclo de vida no container/composition root.
3. Se implementar diretamente, trate concorrência e inicialização.
4. Evite estado mutável global.
5. Ofereça uma abstração que permita testes.

## 6. Exemplo mental

Um `ProcessLockManager` precisa ser único no processo; ainda assim, classes de negócio recebem `ILockManager` por injeção em vez de chamar `getInstance()`.

## 7. Benefícios esperados
- Controla uma instância única.
- Pode centralizar ciclo de vida de recurso.

## 8. Custos e trade-offs
- Acoplamento global, dependências ocultas e testes difíceis.
- Concorrência e inicialização podem complicar a implementação.

## 9. Encaixe com Clean Architecture e SOLID

Trate Singleton como detalhe de composição. Entidades e casos de uso não devem buscar um singleton global; dependam de interfaces.

**Regras para a IA:**
- Dependa de abstrações quando a variação justificar uma fronteira.
- Não faça o domínio importar SDKs, frameworks, banco de dados ou UI.
- Mantenha cada participante com responsabilidade coesa.
- Prefira composição quando ela reduzir acoplamento; não crie hierarquias artificiais.
- Registre a decisão arquitetural quando o padrão afetar muitos módulos.

## 10. Caminho de refatoração

Se `getInstance()` aparece por toda a base, considere extrair interface + injeção de dependência e restringir a unicidade ao composition root.

Ao refatorar um sistema existente:
1. Proteja o comportamento atual com testes.
2. Faça passos pequenos e reversíveis.
3. Introduza primeiro a abstração/contrato.
4. Migre um fluxo por vez.
5. Remova código antigo apenas após equivalência comportamental comprovada.

## 11. Estratégia de testes

Teste concorrência se houver lazy initialization; teste consumidores substituindo a abstração por fake.

Checklist mínimo:
- [ ] caminho feliz
- [ ] entradas/estados de limite
- [ ] erros e falhas de dependências
- [ ] comportamento de cada implementação concreta
- [ ] teste de contrato quando houver múltiplas implementações
- [ ] teste de integração apenas onde a fronteira externa for relevante

## 12. Padrões relacionados
- Abstract Factory
- Facade
- Dependency Injection

## 13. Perguntas de diagnóstico para a IA

1. Qual aspecto do sistema realmente varia?
2. Essa variação já está causando duplicação, condicionais ou acoplamento?
3. Uma função/composição simples resolveria com menos abstrações?
4. O padrão reduz o custo de uma mudança concreta que já é provável?
5. Qual é o custo de introduzir novas classes, indireção e configuração?
6. Como a decisão será testada e observada em produção?

## 14. Prompt pronto

```text
Você é o arquiteto do projeto. Avalie se o padrão **Singleton** é adequado para o problema abaixo.

Contexto: [DESCREVA o sistema, stack/arquitetura, estado atual e o problema observado]
Objetivo: [DESCREVA o resultado esperado ao avaliar ou aplicar este padrão]
Restrições: [DESCREVA prazo, legado, performance, testes, compatibilidade e o que não pode mudar]

Antes de codificar:
1. Identifique as forças que justificam ou rejeitam Singleton.
2. Compare pelo menos uma alternativa mais simples e um padrão relacionado (Abstract Factory, Facade, Dependency Injection).
3. Se o padrão for justificado, mostre participantes, dependências e fluxo.
4. Preserve Clean Architecture/SOLID: regras centrais não dependem de infraestrutura.
5. Implemente incrementalmente, com testes.
6. Ao final, liste trade-offs e sinais de overengineering.

Não aplique o padrão apenas porque foi solicitado; rejeite-o se não houver variação/complexidade que o justifique.
```

### Como preencher os campos

- **Contexto:** descreva o tipo de sistema, stack/versões, arquitetura atual, onde a mudança acontece e o comportamento relevante já existente.
- **Objetivo:** descreva o resultado observável que deve existir ao final, não apenas a tecnologia que você quer usar.
- **Restrições:** informe o que não pode mudar, compatibilidade, prazo, segurança, acessibilidade, performance, legado, dependências e limites de escopo.

### Exemplo preenchido

```text
Contexto: Aplicação usa uma instância global de configuração acessada por muitos módulos.
Objetivo: Avaliar se Singleton é justificável ou se injeção de dependência oferece acoplamento menor.
Restrições: Evitar estado global oculto; garantir testabilidade; rejeitar o padrão se não houver necessidade de instância única.
```


## 15. Critério de aceite

A aplicação de **Singleton** só está concluída quando:
- [ ] o problema que motivou o padrão está explicitamente documentado;
- [ ] o código cliente depende do contrato correto, não de detalhes acidentais;
- [ ] adicionar a variação-alvo exige menos mudanças que antes;
- [ ] testes protegem a extensão/refatoração;
- [ ] não houve vazamento de infraestrutura para o núcleo;
- [ ] a solução ficou mais compreensível para manutenção, não apenas “mais orientada a padrões”.

## 16. Base Conceitual e Relações

- Catálogo Refactoring.Guru em português — escopo de 22 padrões.
- *Design Patterns: Elements of Reusable Object-Oriented Software* (Gamma, Helm, Johnson e Vlissides) — intenção, aplicabilidade, participantes, consequências e relações entre padrões.
- Guias de Clean Architecture, princípios de design, refatoração e código limpo deste pacote.
