# Guia de Referência: Builder (Criacional)


Este guia orienta a aplicação do padrão **Builder** em projetos de software. **Objetivo:** Construir objetos complexos em etapas claras, separando o processo de construção da representação final. O padrão deve ser usado somente quando as forças do problema o justificarem.

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## 1. Problema que resolve

Construtores enormes, parâmetros opcionais, combinações inválidas e montagem complexa tornam a criação difícil de ler e manter.

### Sinais no código/arquitetura
- Construtor telescópico com muitos parâmetros.
- Muitos parâmetros booleanos/opcionais.
- O objeto exige etapas de montagem, validação ou ordenação.

## 2. Quando usar
- Requests/DTOs complexos, relatórios, documentos, consultas e configurações.
- Objetos de teste com muitas combinações.
- Montagem de estruturas em etapas com representações finais diferentes.

## 3. Quando NÃO usar
- Para objetos simples com poucos argumentos obrigatórios.
- Quando setters simples e validação no construtor já deixam a criação clara.
- Se o builder permitir estados inválidos por tempo demais sem benefício.

## 4. Estrutura e participantes
- Builder: API de construção passo a passo.
- ConcreteBuilder: acumula estado e gera o produto.
- Product: objeto final.
- Director (opcional): encapsula receitas de construção reutilizáveis.

## 5. Procedimento de implementação
1. Separe atributos obrigatórios de opcionais.
2. Crie métodos de construção com nomes do domínio.
3. Evite expor um produto parcialmente válido.
4. Centralize validação no `build()` ou no próprio produto.
5. Crie Directors apenas para receitas realmente reutilizadas.

## 6. Exemplo mental

`ReportBuilder().forPeriod(period).withColumns(cols).withSummary().build()` cria um relatório válido sem um construtor de 12 argumentos.

## 7. Benefícios esperados
- Código de criação legível e autoexplicativo.
- Evita construtores telescópicos.
- Permite receitas e variações.

## 8. Custos e trade-offs
- Mais classes/objetos auxiliares.
- Pode esconder regras se o builder virar um depósito de setters.

## 9. Encaixe com Clean Architecture e SOLID

Builders de entidades devem respeitar invariantes do domínio; builders de infraestrutura/DTOs ficam nas bordas. Para testes, um Test Data Builder é especialmente útil.

**Regras para a IA:**
- Dependa de abstrações quando a variação justificar uma fronteira.
- Não faça o domínio importar SDKs, frameworks, banco de dados ou UI.
- Mantenha cada participante com responsabilidade coesa.
- Prefira composição quando ela reduzir acoplamento; não crie hierarquias artificiais.
- Registre a decisão arquitetural quando o padrão afetar muitos módulos.

## 10. Caminho de refatoração

Aplique ao detectar long parameter list, criação repetitiva ou objetos montados em várias linhas inconsistentes.

Ao refatorar um sistema existente:
1. Proteja o comportamento atual com testes.
2. Faça passos pequenos e reversíveis.
3. Introduza primeiro a abstração/contrato.
4. Migre um fluxo por vez.
5. Remova código antigo apenas após equivalência comportamental comprovada.

## 11. Estratégia de testes

Teste combinações válidas, campos obrigatórios, defaults e rejeição de estados inválidos.

Checklist mínimo:
- [ ] caminho feliz
- [ ] entradas/estados de limite
- [ ] erros e falhas de dependências
- [ ] comportamento de cada implementação concreta
- [ ] teste de contrato quando houver múltiplas implementações
- [ ] teste de integração apenas onde a fronteira externa for relevante

## 12. Padrões relacionados
- Abstract Factory
- Factory Method
- Composite

## 13. Perguntas de diagnóstico para a IA

1. Qual aspecto do sistema realmente varia?
2. Essa variação já está causando duplicação, condicionais ou acoplamento?
3. Uma função/composição simples resolveria com menos abstrações?
4. O padrão reduz o custo de uma mudança concreta que já é provável?
5. Qual é o custo de introduzir novas classes, indireção e configuração?
6. Como a decisão será testada e observada em produção?

## 14. Prompt pronto

```text
Você é o arquiteto do projeto. Avalie se o padrão **Builder** é adequado para o problema abaixo.

Contexto: [DESCREVA o sistema, stack/arquitetura, estado atual e o problema observado]
Objetivo: [DESCREVA o resultado esperado ao avaliar ou aplicar este padrão]
Restrições: [DESCREVA prazo, legado, performance, testes, compatibilidade e o que não pode mudar]

Antes de codificar:
1. Identifique as forças que justificam ou rejeitam Builder.
2. Compare pelo menos uma alternativa mais simples e um padrão relacionado (Abstract Factory, Factory Method, Composite).
3. Se o padrão for justificado, mostre participantes, dependências e fluxo.
4. Preserve Clean Architecture/SOLID: regras centrais não dependem de infraestrutura.
5. Implemente incrementalmente, com testes.
6. Ao final, liste trade-offs e sinais de overengineering.

Não aplique o padrão apenas porque foi solicitado; rejeite-o se não houver variação/complexidade que o justifique.
```

### Como preencher os campos

- **Contexto:** descreva o tipo de sistema, stack/versões, arquitetura atual, onde a mudança acontece e o comportamento relevante já existente.
- **Objetivo:** descreva o resultado observável que deve existir ao final, não apenas a tecnologia que você quer usar.
- **Restrições:** informe o que não pode mudar, compatibilidade, prazo, segurança, acessibilidade, performance, legado, dependências e limites de escopo.

### Exemplo preenchido

```text
Contexto: Relatório possui muitas seções opcionais e combinações de configuração.
Objetivo: Construir relatórios complexos passo a passo com presets distintos.
Restrições: Objeto final deve ser válido; evitar builder se um construtor simples é suficiente.
```


## 15. Critério de aceite

A aplicação de **Builder** só está concluída quando:
- [ ] o problema que motivou o padrão está explicitamente documentado;
- [ ] o código cliente depende do contrato correto, não de detalhes acidentais;
- [ ] adicionar a variação-alvo exige menos mudanças que antes;
- [ ] testes protegem a extensão/refatoração;
- [ ] não houve vazamento de infraestrutura para o núcleo;
- [ ] a solução ficou mais compreensível para manutenção, não apenas “mais orientada a padrões”.

## 16. Base Conceitual e Relações

- Catálogo Refactoring.Guru em português — escopo de 22 padrões.
- *Design Patterns: Elements of Reusable Object-Oriented Software* (Gamma, Helm, Johnson e Vlissides) — intenção, aplicabilidade, participantes, consequências e relações entre padrões.
- Guias de Clean Architecture, princípios de design, refatoração e código limpo deste pacote.
