# Guia de Referência: Visitor (Comportamental)


Este guia orienta a aplicação do padrão **Visitor** em projetos de software. **Objetivo:** Adicionar novas operações a uma estrutura estável de tipos sem colocar cada operação dentro das classes dos elementos. O padrão deve ser usado somente quando as forças do problema o justificarem.

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## 1. Problema que resolve

Uma hierarquia de elementos muda pouco, mas novas operações sobre todos os tipos aparecem com frequência.

### Sinais no código/arquitetura
- Adicionar uma operação exige editar todas as classes com métodos não relacionados à responsabilidade principal.
- A estrutura de tipos é estável.
- A operação precisa comportamento específico por tipo concreto.

## 2. Quando usar
- Compiladores/AST.
- Árvores de documentos.
- Exportadores/validadores sobre estrutura estável.

## 3. Quando NÃO usar
- Quando novos tipos de elementos são adicionados frequentemente.
- Quando double dispatch e a complexidade do Visitor não se justificam.
- Quando uma operação simples pode ser função/pattern matching idiomático da linguagem.

## 4. Estrutura e participantes
- Visitor: método de visita por tipo de elemento.
- ConcreteVisitor: uma operação transversal.
- Element: aceita visitor.
- ConcreteElement: direciona para a visita correta.
- ObjectStructure: percorre elementos.

## 5. Procedimento de implementação
1. Confirme que a hierarquia é mais estável que as operações.
2. Defina `accept(visitor)`.
3. Defina uma visita por tipo concreto.
4. Mova a operação para ConcreteVisitor.
5. Use Iterator/Composite para percorrer a estrutura quando necessário.

## 6. Exemplo mental

Uma AST mantém nós estáveis; `TypeCheckVisitor`, `PrettyPrintVisitor` e `MetricsVisitor` adicionam operações sem inflar cada nó.

## 7. Benefícios esperados
- Novas operações são fáceis de adicionar.
- Agrupa lógica transversal por operação.

## 8. Custos e trade-offs
- Novo tipo de elemento exige alterar todos visitors.
- Pode quebrar encapsulamento ao exigir acesso a dados do elemento.

## 9. Encaixe com Clean Architecture e SOLID

Use em estruturas internas estáveis. Evite usar Visitor como desculpa para expor detalhes de entidades de domínio que deveriam preservar invariantes.

**Regras para a IA:**
- Dependa de abstrações quando a variação justificar uma fronteira.
- Não faça o domínio importar SDKs, frameworks, banco de dados ou UI.
- Mantenha cada participante com responsabilidade coesa.
- Prefira composição quando ela reduzir acoplamento; não crie hierarquias artificiais.
- Registre a decisão arquitetural quando o padrão afetar muitos módulos.

## 10. Caminho de refatoração

Útil quando classes de elementos acumulam muitas operações transversais não relacionadas à sua responsabilidade principal.

Ao refatorar um sistema existente:
1. Proteja o comportamento atual com testes.
2. Faça passos pequenos e reversíveis.
3. Introduza primeiro a abstração/contrato.
4. Migre um fluxo por vez.
5. Remova código antigo apenas após equivalência comportamental comprovada.

## 11. Estratégia de testes

Teste cada visitor sobre todos os tipos relevantes e cenários de estrutura composta.

Checklist mínimo:
- [ ] caminho feliz
- [ ] entradas/estados de limite
- [ ] erros e falhas de dependências
- [ ] comportamento de cada implementação concreta
- [ ] teste de contrato quando houver múltiplas implementações
- [ ] teste de integração apenas onde a fronteira externa for relevante

## 12. Padrões relacionados
- Composite
- Iterator
- Interpreter

## 13. Perguntas de diagnóstico para a IA

1. Qual aspecto do sistema realmente varia?
2. Essa variação já está causando duplicação, condicionais ou acoplamento?
3. Uma função/composição simples resolveria com menos abstrações?
4. O padrão reduz o custo de uma mudança concreta que já é provável?
5. Qual é o custo de introduzir novas classes, indireção e configuração?
6. Como a decisão será testada e observada em produção?

## 14. Prompt pronto

```text
Você é o arquiteto do projeto. Avalie se o padrão **Visitor** é adequado para o problema abaixo.

Contexto: [DESCREVA o sistema, stack/arquitetura, estado atual e o problema observado]
Objetivo: [DESCREVA o resultado esperado ao avaliar ou aplicar este padrão]
Restrições: [DESCREVA prazo, legado, performance, testes, compatibilidade e o que não pode mudar]

Antes de codificar:
1. Identifique as forças que justificam ou rejeitam Visitor.
2. Compare pelo menos uma alternativa mais simples e um padrão relacionado (Composite, Iterator, Interpreter).
3. Se o padrão for justificado, mostre participantes, dependências e fluxo.
4. Preserve Clean Architecture/SOLID: regras centrais não dependem de infraestrutura.
5. Implemente incrementalmente, com testes.
6. Ao final, liste trade-offs e sinais de overengineering.

Não aplique o padrão apenas porque foi solicitado; rejeite-o se não houver variação/complexidade que o justifique.
```

### Como preencher os campos

- **Contexto:** descreva o tipo de sistema, stack/versões, arquitetura atual, onde a mudança acontece e o comportamento relevante já existente.
- **Objetivo:** descreva o resultado observável que deve existir ao final, não apenas a tecnologia que você quer usar.
- **Restrições:** informe o que não pode mudar, compatibilidade, prazo, segurança, acessibilidade, performance, legado, dependências e limites de escopo.

### Exemplo preenchido

```text
Contexto: Estrutura de documentos é estável, mas novas operações como exportar, validar e calcular estatísticas são adicionadas frequentemente.
Objetivo: Adicionar operações sobre a estrutura sem modificar cada classe de elemento.
Restrições: Só usar quando a estrutura de elementos é relativamente estável; adicionar novos tipos de elemento fica mais caro.
```


## 15. Critério de aceite

A aplicação de **Visitor** só está concluída quando:
- [ ] o problema que motivou o padrão está explicitamente documentado;
- [ ] o código cliente depende do contrato correto, não de detalhes acidentais;
- [ ] adicionar a variação-alvo exige menos mudanças que antes;
- [ ] testes protegem a extensão/refatoração;
- [ ] não houve vazamento de infraestrutura para o núcleo;
- [ ] a solução ficou mais compreensível para manutenção, não apenas “mais orientada a padrões”.

## 16. Base Conceitual e Relações

- Catálogo Refactoring.Guru em português — escopo de 22 padrões.
- *Design Patterns: Elements of Reusable Object-Oriented Software* (Gamma, Helm, Johnson e Vlissides) — intenção, aplicabilidade, participantes, consequências e relações entre padrões.
- Guias de Clean Architecture, princípios de design, refatoração e código limpo deste pacote.
