# Guia de Referência: Observer (Comportamental)


Este guia orienta a aplicação do padrão **Observer** em projetos de software. **Objetivo:** Notificar múltiplos assinantes quando um objeto/evento muda, sem acoplar o emissor aos consumidores concretos. O padrão deve ser usado somente quando as forças do problema o justificarem.

---

## 1. Problema que resolve

Uma mudança deve desencadear diversas reações, cujo conjunto pode variar durante a execução.

### Sinais no código/arquitetura
- O emissor chama diretamente vários serviços após um evento.
- Novos efeitos colaterais exigem editar a classe central.
- Listeners/subscribers precisam ser registrados/removidos.

## 2. Quando usar
- Eventos de domínio.
- UI reativa.
- Notificações internas e integrações assíncronas.

## 3. Quando NÃO usar
- Quando a consistência transacional exige sequência explícita e síncrona.
- Quando cascatas de eventos tornam o fluxo invisível.
- Quando um único consumidor fixo torna o padrão desnecessário.

## 4. Estrutura e participantes
- Subject/Publisher: gerencia assinantes e emite evento.
- Observer/Subscriber: contrato de reação.
- ConcreteObserver: ação específica.

## 5. Procedimento de implementação
1. Defina eventos significativos, preferencialmente no passado (`OrderPaid`).
2. Publique dados mínimos necessários.
3. Evite o publisher conhecer subscribers concretos.
4. Defina política de erro/ordem/assincronia.
5. Garanta unsubscribe/limpeza quando necessário.

## 6. Exemplo mental

Após `OrderPaid`, subscribers independentes enviam recibo, atualizam analytics e liberam expedição.

## 7. Benefícios esperados
- OCP para novos assinantes.
- Baixo acoplamento entre emissor e reações.

## 8. Custos e trade-offs
- Ordem e efeitos indiretos podem dificultar debugging.
- Erros/retries exigem política clara.

## 9. Encaixe com Clean Architecture e SOLID

Domain Events podem nascer no domínio; publicação/transportes concretos ficam em aplicação/infra. Não transforme toda chamada em evento sem necessidade.

**Regras para a IA:**
- Dependa de abstrações quando a variação justificar uma fronteira.
- Não faça o domínio importar SDKs, frameworks, banco de dados ou UI.
- Mantenha cada participante com responsabilidade coesa.
- Prefira composição quando ela reduzir acoplamento; não crie hierarquias artificiais.
- Registre a decisão arquitetural quando o padrão afetar muitos módulos.

## 10. Caminho de refatoração

Aplique quando uma classe central acumula chamadas pós-ação para muitos serviços independentes.

Ao refatorar um sistema existente:
1. Proteja o comportamento atual com testes.
2. Faça passos pequenos e reversíveis.
3. Introduza primeiro a abstração/contrato.
4. Migre um fluxo por vez.
5. Remova código antigo apenas após equivalência comportamental comprovada.

## 11. Estratégia de testes

Teste emissão do evento e cada subscriber separadamente; integração deve validar ordem/entrega quando isso for requisito.

Checklist mínimo:
- [ ] caminho feliz
- [ ] entradas/estados de limite
- [ ] erros e falhas de dependências
- [ ] comportamento de cada implementação concreta
- [ ] teste de contrato quando houver múltiplas implementações
- [ ] teste de integração apenas onde a fronteira externa for relevante

## 12. Padrões relacionados
- Mediator
- Event Bus
- Command

## 13. Perguntas de diagnóstico para a IA

1. Qual aspecto do sistema realmente varia?
2. Essa variação já está causando duplicação, condicionais ou acoplamento?
3. Uma função/composição simples resolveria com menos abstrações?
4. O padrão reduz o custo de uma mudança concreta que já é provável?
5. Qual é o custo de introduzir novas classes, indireção e configuração?
6. Como a decisão será testada e observada em produção?

## 14. Prompt pronto

```text
Você é o arquiteto do projeto. Avalie se o padrão **Observer** é adequado para o problema abaixo.

Contexto: [DESCREVA o sistema, stack/arquitetura, estado atual e o problema observado]
Objetivo: [DESCREVA o resultado esperado ao avaliar ou aplicar este padrão]
Restrições: [DESCREVA prazo, legado, performance, testes, compatibilidade e o que não pode mudar]

Antes de codificar:
1. Identifique as forças que justificam ou rejeitam Observer.
2. Compare pelo menos uma alternativa mais simples e um padrão relacionado (Mediator, Event Bus, Command).
3. Se o padrão for justificado, mostre participantes, dependências e fluxo.
4. Preserve Clean Architecture/SOLID: regras centrais não dependem de infraestrutura.
5. Implemente incrementalmente, com testes.
6. Ao final, liste trade-offs e sinais de overengineering.

Não aplique o padrão apenas porque foi solicitado; rejeite-o se não houver variação/complexidade que o justifique.
```

### Como preencher os campos

- **Contexto:** descreva o tipo de sistema, stack/versões, arquitetura atual, onde a mudança acontece e o comportamento relevante já existente.
- **Objetivo:** descreva o resultado observável que deve existir ao final, não apenas a tecnologia que você quer usar.
- **Restrições:** informe o que não pode mudar, compatibilidade, prazo, segurança, acessibilidade, performance, legado, dependências e limites de escopo.

### Exemplo preenchido

```text
Contexto: Após concluir um pedido, vários módulos precisam reagir: e-mail, auditoria e atualização de painel.
Objetivo: Notificar interessados sem o pedido depender diretamente de cada consumidor.
Restrições: Evitar loops/eventos duplicados; definir síncrono/assíncrono; tratar falhas dos observadores.
```


## 15. Critério de aceite

A aplicação de **Observer** só está concluída quando:
- [ ] o problema que motivou o padrão está explicitamente documentado;
- [ ] o código cliente depende do contrato correto, não de detalhes acidentais;
- [ ] adicionar a variação-alvo exige menos mudanças que antes;
- [ ] testes protegem a extensão/refatoração;
- [ ] não houve vazamento de infraestrutura para o núcleo;
- [ ] a solução ficou mais compreensível para manutenção, não apenas “mais orientada a padrões”.

## 16. Base Conceitual e Relações

- Catálogo Refactoring.Guru em português — escopo de 22 padrões.
- *Design Patterns: Elements of Reusable Object-Oriented Software* (Gamma, Helm, Johnson e Vlissides) — intenção, aplicabilidade, participantes, consequências e relações entre padrões.
- Guias de Clean Architecture, princípios de design, refatoração e código limpo deste pacote.
