# Guia de Referência: Mediator (Comportamental)


Este guia orienta a aplicação do padrão **Mediator** em projetos de software. **Objetivo:** Centralizar a coordenação entre objetos que, de outra forma, teriam muitas dependências diretas entre si. O padrão deve ser usado somente quando as forças do problema o justificarem.

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## 1. Problema que resolve

Componentes conversam em malha muitos-para-muitos e cada alteração de interação exige mudar vários participantes.

### Sinais no código/arquitetura
- Objetos mantêm referências a muitos colegas.
- Eventos/chamadas cruzadas tornam o fluxo difícil de seguir.
- Reutilizar um componente isoladamente é difícil por dependências com outros.

## 2. Quando usar
- Coordenação de UI complexa.
- Application mediator/event mediator.
- Workflows com participantes independentes e protocolo central.

## 3. Quando NÃO usar
- Quando o mediador vira um God Object com toda a lógica do sistema.
- Quando eventos pub/sub independentes são mais adequados que coordenação explícita.

## 4. Estrutura e participantes
- Mediator: protocolo de comunicação.
- ConcreteMediator: coordena participantes.
- Colleagues: notificam mediador e não dependem diretamente entre si.

## 5. Procedimento de implementação
1. Mapeie dependências entre participantes.
2. Extraia as interações para um mediador.
3. Faça participantes notificarem apenas eventos relevantes.
4. Mantenha regras próprias nos participantes; coordenação no mediador.
5. Divida mediadores por caso de uso/contexto.

## 6. Exemplo mental

Num formulário, campos não habilitam/desabilitam uns aos outros diretamente; `CheckoutFormMediator` coordena alterações conforme eventos.

## 7. Benefícios esperados
- Reduz dependências muitos-para-muitos.
- Centraliza protocolo de colaboração.

## 8. Custos e trade-offs
- Mediador pode crescer demais.
- Fluxo indireto pode ser menos óbvio.

## 9. Encaixe com Clean Architecture e SOLID

Em Clean Architecture, mediadores/handlers podem estar na camada de aplicação, orquestrando casos de uso sem acoplar controllers entre si.

**Regras para a IA:**
- Dependa de abstrações quando a variação justificar uma fronteira.
- Não faça o domínio importar SDKs, frameworks, banco de dados ou UI.
- Mantenha cada participante com responsabilidade coesa.
- Prefira composição quando ela reduzir acoplamento; não crie hierarquias artificiais.
- Registre a decisão arquitetural quando o padrão afetar muitos módulos.

## 10. Caminho de refatoração

Aplique quando classes têm imports/referências circulares e regras de coordenação espalhadas.

Ao refatorar um sistema existente:
1. Proteja o comportamento atual com testes.
2. Faça passos pequenos e reversíveis.
3. Introduza primeiro a abstração/contrato.
4. Migre um fluxo por vez.
5. Remova código antigo apenas após equivalência comportamental comprovada.

## 11. Estratégia de testes

Teste participantes isolados e cenários de coordenação do mediador; verifique ausência de dependências diretas indesejadas.

Checklist mínimo:
- [ ] caminho feliz
- [ ] entradas/estados de limite
- [ ] erros e falhas de dependências
- [ ] comportamento de cada implementação concreta
- [ ] teste de contrato quando houver múltiplas implementações
- [ ] teste de integração apenas onde a fronteira externa for relevante

## 12. Padrões relacionados
- Observer
- Command
- Facade

## 13. Perguntas de diagnóstico para a IA

1. Qual aspecto do sistema realmente varia?
2. Essa variação já está causando duplicação, condicionais ou acoplamento?
3. Uma função/composição simples resolveria com menos abstrações?
4. O padrão reduz o custo de uma mudança concreta que já é provável?
5. Qual é o custo de introduzir novas classes, indireção e configuração?
6. Como a decisão será testada e observada em produção?

## 14. Prompt pronto

```text
Você é o arquiteto do projeto. Avalie se o padrão **Mediator** é adequado para o problema abaixo.

Contexto: [DESCREVA o sistema, stack/arquitetura, estado atual e o problema observado]
Objetivo: [DESCREVA o resultado esperado ao avaliar ou aplicar este padrão]
Restrições: [DESCREVA prazo, legado, performance, testes, compatibilidade e o que não pode mudar]

Antes de codificar:
1. Identifique as forças que justificam ou rejeitam Mediator.
2. Compare pelo menos uma alternativa mais simples e um padrão relacionado (Observer, Command, Facade).
3. Se o padrão for justificado, mostre participantes, dependências e fluxo.
4. Preserve Clean Architecture/SOLID: regras centrais não dependem de infraestrutura.
5. Implemente incrementalmente, com testes.
6. Ao final, liste trade-offs e sinais de overengineering.

Não aplique o padrão apenas porque foi solicitado; rejeite-o se não houver variação/complexidade que o justifique.
```

### Como preencher os campos

- **Contexto:** descreva o tipo de sistema, stack/versões, arquitetura atual, onde a mudança acontece e o comportamento relevante já existente.
- **Objetivo:** descreva o resultado observável que deve existir ao final, não apenas a tecnologia que você quer usar.
- **Restrições:** informe o que não pode mudar, compatibilidade, prazo, segurança, acessibilidade, performance, legado, dependências e limites de escopo.

### Exemplo preenchido

```text
Contexto: Campos e painéis de um formulário conversam diretamente entre si, criando dependências circulares.
Objetivo: Centralizar a coordenação das interações sem cada componente conhecer todos os outros.
Restrições: Mediator não deve acumular regras de domínio; manter responsabilidades dos componentes.
```


## 15. Critério de aceite

A aplicação de **Mediator** só está concluída quando:
- [ ] o problema que motivou o padrão está explicitamente documentado;
- [ ] o código cliente depende do contrato correto, não de detalhes acidentais;
- [ ] adicionar a variação-alvo exige menos mudanças que antes;
- [ ] testes protegem a extensão/refatoração;
- [ ] não houve vazamento de infraestrutura para o núcleo;
- [ ] a solução ficou mais compreensível para manutenção, não apenas “mais orientada a padrões”.

## 16. Base Conceitual e Relações

- Catálogo Refactoring.Guru em português — escopo de 22 padrões.
- *Design Patterns: Elements of Reusable Object-Oriented Software* (Gamma, Helm, Johnson e Vlissides) — intenção, aplicabilidade, participantes, consequências e relações entre padrões.
- Guias de Clean Architecture, princípios de design, refatoração e código limpo deste pacote.
