# Guia de Referência: Command (Comportamental)


Este guia orienta a aplicação do padrão **Command** em projetos de software. **Objetivo:** Encapsular uma solicitação como objeto, separando quem pede de quem executa e habilitando fila, log, retry ou undo. O padrão deve ser usado somente quando as forças do problema o justificarem.

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## 1. Problema que resolve

A UI/controller dispara muitas operações concretas e você precisa tratá-las como dados/objetos executáveis.

### Sinais no código/arquitetura
- Botões/menu conhecem receivers concretos.
- Operações precisam ser enfileiradas, agendadas ou persistidas.
- Undo/redo ou histórico de ações é necessário.

## 2. Quando usar
- Filas/jobs.
- Ações de UI.
- CQRS commands.
- Macro/undo quando o estado permite reversão.

## 3. Quando NÃO usar
- Para chamadas simples onde encapsular cada operação não traz flexibilidade.
- Quando Command vira apenas DTO sem uma política clara e adiciona camadas artificiais.

## 4. Estrutura e participantes
- Command: contrato `execute`.
- ConcreteCommand: parâmetros e delegação.
- Receiver: executa a lógica especializada.
- Invoker: dispara/agenda.
- Client: monta as relações.

## 5. Procedimento de implementação
1. Defina a unidade de intenção da operação.
2. Crie comando com os dados necessários.
3. Mantenha regra de negócio no receiver/use case quando apropriado.
4. Faça invoker depender do contrato.
5. Para undo, modele compensação ou memento explicitamente.

## 6. Exemplo mental

`SendInvoiceCommand(invoiceId)` é colocado numa fila; o worker chama `execute()` via handler e registra resultado/idempotência.

## 7. Benefícios esperados
- Desacopla emissão e execução.
- Facilita fila, log, retry, macro e undo.

## 8. Custos e trade-offs
- Muitas classes pequenas.
- Persistência/idempotência podem ser complexas.

## 9. Encaixe com Clean Architecture e SOLID

Em aplicação, Commands podem representar intenção de casos de uso; mantenha entidades livres de detalhes de mensageria/filas.

**Regras para a IA:**
- Dependa de abstrações quando a variação justificar uma fronteira.
- Não faça o domínio importar SDKs, frameworks, banco de dados ou UI.
- Mantenha cada participante com responsabilidade coesa.
- Prefira composição quando ela reduzir acoplamento; não crie hierarquias artificiais.
- Registre a decisão arquitetural quando o padrão afetar muitos módulos.

## 10. Caminho de refatoração

Aplique quando o mesmo conjunto de parâmetros/ações precisa atravessar camadas, ser adiado ou tratado uniformemente.

Ao refatorar um sistema existente:
1. Proteja o comportamento atual com testes.
2. Faça passos pequenos e reversíveis.
3. Introduza primeiro a abstração/contrato.
4. Migre um fluxo por vez.
5. Remova código antigo apenas após equivalência comportamental comprovada.

## 11. Estratégia de testes

Teste comando/handler, idempotência quando assíncrono, falhas, retries e autorização no lugar correto.

Checklist mínimo:
- [ ] caminho feliz
- [ ] entradas/estados de limite
- [ ] erros e falhas de dependências
- [ ] comportamento de cada implementação concreta
- [ ] teste de contrato quando houver múltiplas implementações
- [ ] teste de integração apenas onde a fronteira externa for relevante

## 12. Padrões relacionados
- Memento
- Chain of Responsibility
- Mediator

## 13. Perguntas de diagnóstico para a IA

1. Qual aspecto do sistema realmente varia?
2. Essa variação já está causando duplicação, condicionais ou acoplamento?
3. Uma função/composição simples resolveria com menos abstrações?
4. O padrão reduz o custo de uma mudança concreta que já é provável?
5. Qual é o custo de introduzir novas classes, indireção e configuração?
6. Como a decisão será testada e observada em produção?

## 14. Prompt pronto

```text
Você é o arquiteto do projeto. Avalie se o padrão **Command** é adequado para o problema abaixo.

Contexto: [DESCREVA o sistema, stack/arquitetura, estado atual e o problema observado]
Objetivo: [DESCREVA o resultado esperado ao avaliar ou aplicar este padrão]
Restrições: [DESCREVA prazo, legado, performance, testes, compatibilidade e o que não pode mudar]

Antes de codificar:
1. Identifique as forças que justificam ou rejeitam Command.
2. Compare pelo menos uma alternativa mais simples e um padrão relacionado (Memento, Chain of Responsibility, Mediator).
3. Se o padrão for justificado, mostre participantes, dependências e fluxo.
4. Preserve Clean Architecture/SOLID: regras centrais não dependem de infraestrutura.
5. Implemente incrementalmente, com testes.
6. Ao final, liste trade-offs e sinais de overengineering.

Não aplique o padrão apenas porque foi solicitado; rejeite-o se não houver variação/complexidade que o justifique.
```

### Como preencher os campos

- **Contexto:** descreva o tipo de sistema, stack/versões, arquitetura atual, onde a mudança acontece e o comportamento relevante já existente.
- **Objetivo:** descreva o resultado observável que deve existir ao final, não apenas a tecnologia que você quer usar.
- **Restrições:** informe o que não pode mudar, compatibilidade, prazo, segurança, acessibilidade, performance, legado, dependências e limites de escopo.

### Exemplo preenchido

```text
Contexto: Editor possui ações de salvar, excluir e mover que precisam entrar em fila e algumas devem suportar desfazer.
Objetivo: Encapsular ações como objetos para execução, histórico e undo quando aplicável.
Restrições: Não criar classe por ação trivial sem benefício; definir dados necessários e idempotência.
```


## 15. Critério de aceite

A aplicação de **Command** só está concluída quando:
- [ ] o problema que motivou o padrão está explicitamente documentado;
- [ ] o código cliente depende do contrato correto, não de detalhes acidentais;
- [ ] adicionar a variação-alvo exige menos mudanças que antes;
- [ ] testes protegem a extensão/refatoração;
- [ ] não houve vazamento de infraestrutura para o núcleo;
- [ ] a solução ficou mais compreensível para manutenção, não apenas “mais orientada a padrões”.

## 16. Base Conceitual e Relações

- Catálogo Refactoring.Guru em português — escopo de 22 padrões.
- *Design Patterns: Elements of Reusable Object-Oriented Software* (Gamma, Helm, Johnson e Vlissides) — intenção, aplicabilidade, participantes, consequências e relações entre padrões.
- Guias de Clean Architecture, princípios de design, refatoração e código limpo deste pacote.
